Eu me lembro dele há poucos dias me consolando porque meu namorado viajou. Não disse nada, só ficou esfregando a barba grisalha no meu rosto. Assim, instintivo mesmo, leão acariciando sua prole. Sem palavras porque ele é assim, sem sermões, no máximo uma frase que te desmorona pro certo. Ou te reconstrói.
E como ele está sempre certo! Observa, repara e então diz. Muito respeitado, o apaziguador e o melhor conselheiro, nunca esquecido em momentos de dificuldades.
Não esqueço outras cenas mais, como quando lia 'Rosinha Minha Canoa' e proclamou emocionado 'Louco, você? Só porque consegue entender as árvores ou falar com as coisas? Bobagens! Loucos são os outros homens que perderam a poesia de Deus, que endureceram o coração e nem sequer podem entender os próprios homens. Esses são loucos'. Ou quando falava tanto de 'O Pequeno Príncipe' e suas lições, mais forte quando diz que 'Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas'. Como quando me disse que vivemos uma vida bem sem amar uma pessoa mas nenhum dia sequer sem respeitar. E sobre as precauções e as responsabilidades da vida.
Todo momento havia uma música que o definisse. Leva o amor e a paz por onde vai, qualquer um sente. Fica, pai!